Nós escolhemos nosso tom emocional



Pouco antes de entrarmos em confinamento total, eu estava conversando com um colega que estava reclamando sobre como tudo estava sendo cancelado.

Imediatamente ele se desculpou e se disse envergonhado, porque “caiu uma ficha”. Ele se sentiu envergonhado com o tom emocional que havia atribuído para nossa conversa.





Milhares de pessoas estão morrendo todos os dias e eu aqui reclamando por não saber o que farei com as crianças em casa e que não havia nada no mundo que pudesse ocupar meu filho de 4 anos em período integral sem atividades extracurriculares ou escolares.

Foi uma fala lúcida essa dele. Então eu me perguntei ...


Se o mundo inteiro pudesse ter ouvido ele falar dessa forma, o que as pessoas pensariam? Como elas o responderiam a esse tom emocional?


Não que isso importe – o julgamento alheio - mas, mesmo que o mundo inteiro não estivesse assistindo ele reclamar daquela forma, tenho certeza que a filha dele estaria observando suas ações, o que ela estaria aprendendo?


A interrupção da rotina de seus filhos inconscientemente dirá a eles que algo está acontecendo e confiará em seus pais - observando e refletindo sobre os comportamentos deles - como interpretar o tom emocional da situação, eles sentirão aquilo que você demonstrar.


Com certeza você pode desabafar, posso explicar e ter uma conversa com as pessoas próximas a você, sobre o que está acontecendo na sua vida. O que não tem necessidade é fazer de uma maneira que resulte em reclamação pura.


Quando falamos de tom emocional significa nossa percepção da realidade, que pode ser mais cinza ou mais azul!


Como no nesse exemplo do meu amigo, ele estava vendo a questão de ter os filhos em casa muito mais cinza – negativa, do que realmente era e quando pensou nas outras pessoas com problemas mais graves percebei que estava mais para um “azul escuro”.


Você não precisa ficar se comparando, afinal não é uma competição de quem sofre mais, mas pode observar o contexto todo antes de classificar que uma coisa é tão ruim assim.


Quando você escolhe a forma como vai perceber as coisas, fica muito mais fácil desenvolver comportamentos correspondentes. Se entende que ter os filhos em casa não é tão ruim assim, você trata da questão com mais leveza e menos irritação.


PRÁTICA

· Quando se deparar com alguma situação, boa ou ruim, observe seu corpo, percebe as reações físicas que se manifestam, “frio na barriga”, tremedeira, “bolo na garganta”, rosto esquentando, batimentos cardíacos e tudo mais. Quanto mais fortes forem esses efeitos mais fortes serão suas reações.

· Respire 3x6 – antes de falar ou agir, reduza a sua intensidade emocional. A inspiração em 3 segundos e a expiração em 6 segundos, feita pelo menos 3 vezes, vai desativar seu “alarme interno” (amígdala cerebral) e vai reduzir a intensidade da sua reação.

· Tente pensar antes de falar ou agir, avaliar rapidamente qual a reação ideal para a situação em questão.

· Analise os pensamentos que passam pela cabeça antes da respiração, depois da respiração e depois de agir ou falar. Analise os resultados obtidos, se foram satisfatórios ou não.

Na primeira vez que tentar pode ser bem difícil fazer tudo isso, mas só porque seu cérebro está habituado a seguir por um caminho em determinadas situações, o que está fazendo é construindo uma nova estrada e precisa ser persistente, para o bem da sua saúde física e mental e para o bem das suas relações. Sei que você consegue ;)

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